O inverno e o meu amor platônico.


Ensino médio. Inúmeras diferenças do fundamental, na minha escola uma delas, era o intervalo, 'gente pequena, com gente grande'. E claro, era a chance de todas as garotas da minha idade 14 para 15 anos, que já eram apaixonadas pelos garotos mais velhos tentarem algum tipo de aproximação. Afinal, tínhamos alguns minutos em um intervalo em comum. Mas, o que me aconteceu naquele intervalo daquele inverno, foi paixão, foi amor, claro que foi, dos mais sinceros: o tal do amor platônico. 

Agora me diz você Sr. Platônico, o que fazia todos aqueles intervalos sentados no mesmo banco, rindo do mesmo jeito lindo, comendo seu salgado de lanche todos os dias? Porque você apareceu na minha reta quando eu desci aquela escada, que era apenas uma escada até antes de lhe ver. Pois depois de sua presença, transformou esse caminho a qual eu sempre fazia sem ligar para nada, na expectativa para saber se tinhas vindo a escola ou não. 


Eu no primeiro ano, você no terceiro. Logo, já nem ia te ver mais, pois você se formaria. Mas foi o bastante para toda vez o acaso entrar em ação, fazendo a gente se cruzar, e obvio, eu achar que era algum sinal. No fim, só tínhamos aula em salas de mesmo corredor. Assim como você, muitos outros sempre cruzavam por mim, talvez, até mais bonitos. Mas não, você era especial, seu cabelo liso escuro, seus olhos claros, seu jeito meio largado era isso que me chamava sempre atenção e fazia eu gostar de você.


Lembro que eu ficava rabiscando seu nome do nada na classe e minhas amigas implicarem comigo por isso. Eu só ria de canto e dizia ‘Ah me deixa com meu platônico.’. Mas, um dia você me viu, e ainda sorriu…. E pronto! Droga! Porque você fez isso? A partir desse momento soube da minha existência e tudo perdeu a graça (sério foi assim mesmo). Mas confesso, depois que você havia se formado (porque até um platônico sai de cena uma hora), nos intervalos olhava para aquele banco e não tinha você, pois bem, eu ficava rindo sozinha, agora era apenas um banco qualquer, com pessoas aleatórias. 


Enfim, lembro também, de outro inverno que assim por acaso eu te vi na rodoviária da minha cidade, e mais incrível ainda, meu pai te conhecia. Lembro do seu ‘Oi’ e do meu ‘Olá’ como resposta. E certamente você nem se quer lembrou que estudávamos na mesma escola. Então como mais um inverno, você passou, me deixando várias lembranças. Afinal, um primeiro amor platônico a gente também nunca esquece.

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