Confissões de Alyce Wonder


A chuva cai lá fora. O clima está ótimo. Estou com as minhas melhores companhias, meu chocolate quente e é claro a minha gatinha Mary. Aqui sentada, posso perceber o quanto eu sou sozinha. Não tenho amigos, e não tenho namorado. Ás vezes isso me assusta. Será que tudo poderia ser diferente se eu tivesse tido outras escolhas? A onde eu estaria se tivesse escolhido as outras opções? Quando começo á pensar nisso meus olhos se enchem de lágrimas. Ninguém merece viver sozinho. A dor da solidão é horrível. Só para variar, eu queria ter um namorado. Um homem que pudesse me compreender. E ao invés dele me dar flores, ele podia me dar um livro e  eu iria sorrir ao ver que ele tinha acertado o meu gosto literário. E bem que ele poderia me dar chocolates quando eu tivesse nos dias de tpm, e ficasse comigo nos momentos de mudança de estado. 

Ás vezes a minha vontade é de sumir, desaparecer completamente. Afinal de contas, quem iria sentir a minha falta? Sou uma pessoa extremamente chata e irônica. Gosto de músicas clássicas e sou viciada em livros. Passo a maior parte do dia sonhando com uma vida que eu nunca vou ter. E sabe o que mais me dói? Todos os meus sonhos foram frustrados. Meu príncipe nunca apareceu no seu cavalo branco. Nunca tive uma amiga pra chamar de minha. Minha careira de cantora não deu certo porque simplesmente a minha voz é horrível. E com tudo isso só o que me sobrou foi um apartamento, mais arrumado do que a minha vida, um emprego que não me agrada muito, e uma gatinha, a minha única companhia. Pelo menos ela não me julga, não duvida de mim, e nem fica me cobrando nada. To achando até que eu vou me tornar aquela velhinha dos filmes, que mora sozinha com os seus gatos. 

O pior é que eu tenho que ficar sorrindo, todos os dias, como se tudo tivesse perfeito, mas não tá. A verdade é que em nenhuma parte do meu dia eu sou verdadeira. Simplesmente vivo de aparências para as pessoas gostarem de mim. Mas dentro de mim tem uma voz que fica louca para gritar. E isso fica me sufocando. O fato é que ninguém percebe o que eu estou sentindo. Não tem nenhum ombro amigo para me ajudar. E isso machuca. As pessoas esqueceram da palavra solidariedade. Não sei mais o que é conversar com uma pessoa e se sentir bem com ela. E a única coisa que eu posso fazer para acalmar tudo o que eu sinto é escrevendo, para desabafar.  

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