Sonhos?

"O que você quer ser quando crescer?" Escutei várias vezes essa pergunta em minha infância e adolescência. Médico, modelo, Bombeiro, jogador de futebol, Advogado e Professor eram as respostas mais freqüentes dadas pelos garotos e garotas indagados. Alguns, ainda muito inocentes, respondiam que queriam ser super-heróis, personagens de filmes ou até mesmo de desenhos animados. Era uma pergunta inocente, com respostas inocentes, que refletiam um sinal do momento que cada jovem que respondia passava, refletiam suas preferências e seus sonhos.
Sonho. Percebo que a cada dia essa palavra some do vocabulário de nossa juventude. Parece que os sonhos ficaram menores ou estão deixando de existir. Não falo daqueles sonhos absurdos, fantasiosos, que nos faziam passar noites acordados pensando em como seria se realmente acontecessem; falo dos sonhos mais palpáveis, dos sonhos mais “reais”.
Não vejo mais, em boa parte da juventude, aquela vontade de lutar pelo que se quer, de “chegar lá” pela força e competência. O que vejo é uma juventude que, em sua parcela, apenas espera, não questiona e, se a maioria aceitar, aceita também. Os desejos mais imediatos e desnecessários se tornaram mais importantes que os sonhos a médio ou longo prazo. O que vão fazer no fim de semana se tornou a razão do futuro de boa parte dos jovens, que considera uma total perda de tempo passar um fim de semana lendo, assistindo a bons filmes ou até mesmo estudando para uma importante prova que farão na segunda-feira pela manhã.
Claro que essa não é uma realidade de todos os jovens, todavia, a parcela que não se encaixa no padrão “baladas e bebidas” é vista como alienígena nessa realidade que se instaura e se inflama de forma desequilibrada e com certa contribuição da sociedade em geral que não fiscaliza o aumento do tráfico de drogas em regiões onde determinadas festas acontecem ou até mesmo dentro dessas festas; não questiona a venda desenfreada de bebidas alcoólicas a menores de idade nesses ambientes; parece não ligar para os constantes acidentes de trânsito ocorridos após a realização desses eventos devido ao alto consumo de bebidas alcoólicas e não analisam o tipo de mensagem transmitida nas músicas que esses jovens escutam nesses locais.
A diversão a qualquer custo se tornou o “sonho” da juventude. As baladas regadas a irresponsabilidade, bebidas e outras coisas que prefiro nem citar iludem, alimentam, estimulam, empolgam e alienam as pobres mentes dos jovens que cada vez mais se perdem e se tornam insensíveis a esse tipo de crítica, na verdade até se posicionam veementemente contra o que minhas palavras expõem nesse texto.
Nem tudo está perdido. Não é possível que todas essas mazelas não tragam conseqüências que sejam percebidas, analisadas e questionadas. Eu prefiro sempre pensar que o ser humano pode melhorar, crescer, ser melhor. Nessa questão, ainda não vi progresso, mas vejo alguns revolucionários que ao lerem este texto, podem até nem concordar com tudo o que está escrito, mas com certeza reconhecerão que há uma dose bem incômoda de realidade nessas palavras.
Quem sabe, antes de virar um pesadelo, a juventude volte a sonhar como antes. Assim eu espero!


Meu Professor Maurício Manoel      

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